Felicidade...

Viva, viva feliz, me diz o biscoitinho da sorte que acabo de abrir... “Viva feliz”. E aí começo a pensar sobre essa possibilidade dos monges budistas... Começo a pensar sobre esse suposto estado de êxtase desejado por todos e impossível de alcançar. Deus, sim, Deus... Até ele não é feliz o tempo todo! Ele é infeliz quando vê a vida que levamos, quando vê o amor que recusamos dar e, por consequência, receber, quando vê as escolhas que fazemos e sofremos e não entendemos por que sofremos! Ora, se nem Ele é feliz o tempo todo, por que eu, sim, eu, deveria ser?
Gosto de ser feliz, mas também gosto da infelicidade. Esta me faz ser feliz mais adiante quando entendo, quando transmuto, quando me torno madura, absurdamente madura com meu aprendizado. Sou de uma vontade terrena de crescer. Não, não é do espírito porque não é suave. É densa, é forte, é determinante. É yang. Eu quero. Felicidade é transitar pelo erro, caminhar pelo absurdo, vagar na dúvida e no desencontro. Não há crescimento sem extremos opostos, sem congruência transitória.
Ser feliz é condição de ser infeliz. De viver a dúvida. De viver o medo. De viver a raiva. De viver a santidade. Ser feliz é condição de ousar. De morrer. De renascer. De quebrar protocolos. De romper com crenças. 

Sim, viverei feliz, querido biscoitinho da sorte! Eu e (quem sabe?) todos viveremos felizes, nos nossos encontros e desencontros com a felicidade e a – rejeitada, mas necessária – infelicidade.

Até a próxima, querido leitor!