INACABADA

Inacabada. Sim, estou inacabada! Não termino tudo que há em mim. Inacabado são os meus sonhos, os meus amores – por mim! –, os meus pensamentos, o meu eu.

Como eu sei disso? Simples. Todo dia quero, todo dia desejo, todo dia pergunto, todo dia sonho, e definitivamente não consigo acabar com tudo que me vem. Não, mas eu não acho isso ruim, não. Pelo contrário. Imagine se todos os dias tivéssemos que acabar com tudo. Ai, que chatice! Quem disse que tudo tem que ter começo, meio e fim? Sei que tudo começa, mas se vai ter meio e fim, bem, aí é outra história que pode ter outro começo. Tantas vezes os começos são complexos, são cansativos e damos logo um fim pra eles, sem meio! De outras vezes os meios emperram, incomodam e ficam sem fim. Ainda que isso não seja o fim.  E quando ele – o fim - acontece e nos parece tão distante daquilo que queríamos? Aaaaahhhhhhhhh!!!! Que droga! E deixamos o tempo passar, tentando um novo começo. Pronto, não nos acabamos, não nos encerramos. Temos mais motivos para começar do que para acabar, e sempre criaremos um meio de desejar. O inacabado é o movimento. Se houver fim, temo pela estagnação. E afinal, o que é começo, o que é meio e o que é fim? Santa dúvida, se afasta de mim! Inacabada, sem fim.

Arte de Carybé