Papai Noel, a criança, Jesus...e presentes: Feliz Natal!



Ele é velho, muito velho. Não imagino a sua idade, mas há muitos e muitos anos ele aparece (ou não!) distribuindo presentes para as crianças que crescem e geram outras crianças que também crescem.

Mas qual a representatividade deste idoso, destas crianças e destes presentes? E o que o nascimento de Jesus tem a ver com isso? Fiquei pensando.

Quando Jesus traz a redenção da humanidade, traz com isso o principio do amor incondicional ao próximo e ele diz em uma das passagens bíblicas: “Vinde a mim os pequeninos, porque deles é o reino dos céus.”

Então penso que a figura de Papai Noel é a representação desta energia de amor incondicional. Papai Noel é um velho – um velho sábio - que está no mundo, mas não se corrompe com ele. Ele aparece, dá seu recado e se recolhe. A criança recebe o presente, aprende que doando pode fazer alguém feliz. Elas são o principio, a construção de um novo mundo, são aprendizes, poderão desenvolver este gesto por toda a vida, perpetuando a ação de presentear para fazer alguém feliz, presentear por gratidão, por amor, não por convenção. Jesus é o inconsciente coletivo iluminando o único caminho que desejamos: a FELICIDADE. Ele aflora o conceito do amor pelo amor, sem distinção.

Entre simbolismos tão importantes para o desenvolvimento humano, pergunto: onde foi que tudo isso se perdeu? Onde foi que o presente de Natal ficou mais importante do que a expressão do amor ao doá-lo e da gratidão ao recebê-lo? Onde está o nosso velho sábio? Será que ele ainda não aprendeu com a vida? Será que não está enxergando o materialismo que nos rouba do amor? E a nossa criança? Ela está aprendendo a ser altruísta ou egoísta? Umas com tanto, outras sem nada. Nossa criança está grata ou mimada?

E afinal é Natal. Mesas fartas, excessivamente fartas, muitas com alimentos tão nocivos. Presentes suntuosos, muitos só pela formalidade de presentear. Famílias unidas, muitas com tantos sentimentos velados, truncados, tantas feridas.

Para todos vocês desejo um feliz dia 25. Que seja um dia comum, como qualquer outro. Que seja pleno de amor – como todos os outros -, que seja um dia de gratidão – como todos os outros -, que seja um dia de palavras e ações verdadeiras – como todos os outros.


Se Papai Noel não materializar seu presente ou de outrem, aproveite a chance! Talvez um presente interno seja o que sua criança esteja necessitando. No contexto atual talvez o melhor seja não presentear para que possamos ganhar outros valores mais ricos e consistentes, até podermos voltar a presentear estreitando nossos laços com a gratidão. Acredito que assim teremos um Natal feliz e poderemos confraternizar com as crianças, com os sábios e com toda a humanidade.

A fruta do quintal vizinho é mais gostosa...Será?

Muitas pessoas pensam que podem ser felizes interferindo na felicidade alheia. Burlam regras, desconsideram valores e agem como se fossem o último biscoitinho do pacote. Penso que é necessário sentir-se seguro e infalível no seu empreendimento, certo do que está oferecendo e certo do que está querendo usurpar. É necessário estar seguro de si por completo. Ainda que esta segurança seja uma fachada do ego inflado, o EGOísta acredita no seu potencial, e de tão seguro de si, não cabe em si e perde seu mistério se expondo e se machucando na sua própria indiferença com a dor alheia.
Investir na infelicidade de outro ser humano sem se colocar no lugar dele requer um traço de cinismo, frieza e incapacidade de conquistar a si mesmo e por si mesmo. Exige uma necessidade explícita de competir, de querer vencer e levar a melhor. Quem deseja os frutos gerados no quintal ao lado não tem metas, não tem ideais. Julga o sonho do outro como uma farsa e assim resolve tê-lo para si.
Desejar a felicidade alheia pode ser uma alavanca para motivar as próprias ações no seu objetivo de ser feliz, mas interferir é fraudulento com a própria identidade com o humano. E assim vejo muitas pessoas seguirem se achando sem sorte e contando suas histórias de abandono e rejeição (sem perceber que de si mesmas!), de injustiças e trapaças. Decerto quem se submete ao furto não terá a recompensa da premiação. Toda colheita traz em si um trabalho que passa pelo cuidar da terra, pelo plantio, pelo regar diário. Nutrir-se dos frutos gerados é o merecimento pelo trabalho bem feito.
Se quer ser feliz torne-se merecedor praticando primeiramente a consciência da humildade. Elabore seu sonho e faça seu dever de casa para conquistá-lo. 
A falência pessoal, em qualquer área da vida, muitas vezes é resultante do sentimento de soberba em relação ao telhado vizinho. Fique atento.