ALIMENTE A SUA ESSÊNCIA


"Ainda é possível existir e viver. Ainda é possível contrapor um dique à corrente, inverte-lhe o curso. Com a condição de manter os olhos abertos. De ficar de pé. De defender cada parcela de vida."
 (Roger Garaudy)




Quando se fala em morte, logo pensamos em algo que se vai e nunca pensamos em algo que se transforma. Morte não é algo que traz um fim, mas sim, um renascimento.
Sempre que apresento uma palestra sobre alimentação as pessoas ficam perguntando: mas eu vou comer o quê?. Sinto um certo desalento no ar. Na verdade carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas e minerais surgiram no exato instante em que a vida se originou e através da alimentação esses nutrientes vêm mantendo nossos maiores tesouros: A VIDA E A SAÚDE. O que notamos é que o homem no decorrer da história travou uma relação de descoberta com a comida, mas, vítima da mesma curiosidade, desaprendeu a se alimentar. O que foi gerado com a própria vida, afastou-se dela e passou a ser objeto de morte e de doença. Os tão simples e naturais nutrientes ganharam destaque e foram super valorizados por si, e esqueceram de quem os gerou: o Solo. Alimentos enriquecidos, alimentos industrializados, alimentos com agroquímicos, alimentos transgênicos...todos com o propósito de melhorar a vida da humanidade. Os enriquecidos evitam deficiências, os industrializados garantem maior vida útil ao alimento assegurando que não haja falta de comida, legumes e verduras com agroquímicos evitam uma devastação de lavouras por insetos e os transgênicos vêm para que o mundo não morra de fome. O binômio Solo-Nutriente está, sem sombra de dúvidas, sendo negligenciado. Quer seja no corpo da nossa Mãe Terra, quer seja no nosso organismo o nutriente está sendo roubado. Ignora-se também o que o organismo produz e, vaidosamente, vamos resolvendo sinteticamente o desrespeito à Natureza que tudo provê. Homem e Solo estão intimamente ligados e a maior prova disso é a semelhança de bactérias que existem no nosso intestino e na terra. A terra não produz cenoura acrescida de vitamina A, nem tampouco milho em latinha ou sementes híbridas de soja e erva daninha. A terra produz o alimento e isso é tão natural quanto o nascer e o pôr do sol.
E vocês devem estar perguntando: mas o que isso tem a ver com morte e renascimento? E eu respondo: tudo! Observando o comportamento alimentar no mundo percebemos que existe um forte movimento por alimentos mais naturais. Essa é a morte. Algo deve ir para que o novo chegue. E isso é difícil porque mais do que passar pela consciência, passa pelo desafio de vencer o ego porque trata-se de desapego. Desapegar-se de tudo que nos contaram até agora sobre alimentação e voltar à nossa origem: o alimento por si só, gerado pela terra. Para isso precisamos sim mudar, mudar aos poucos, mas mudar. Abrir mão dos excessos, comer de tudo um pouco num prato bem colorido e bem vivo, refazer as pazes com o Solo, resgatar nosso elo com ele e agradecer incansavelmente pelo alimento que mantém a vida, são alguns pontos que nos conduzirão ao reencontro da nossa essência com a essência do Solo, que, entendo, é uma só já que estamos na Natureza e a Natureza está em nós. É o renascimento.
Certa vez um sociólogo me disse que estamos fazendo o caminho de volta. Velhos conceitos estão ressurgindo para resgatarmos a nossa origem. Nunca mais me esqueci dessas palavras porque foi assim que olhei para o rumo que a alimentação está tomando. Estamos voltando para o alimento natural. Ainda estamos distantes deste conceito na sua plenitude, mas ainda assim estamos mais próximos do que a um ano atrás. E isso é um grande motivo para celebrarmos e acreditarmos que estamos evoluindo. Por isso comecei e encerro com o pensamento de Roger Garaudy:
"Ainda é possível existir e viver. Ainda é possível contrapor um dique à corrente, inverte-lhe o curso. Com a condição de manter os olhos abertos. De ficar de pé. De defender cada parcela de vida."
Mantenha os olhos abertos, fique de pé e defenda cada parcela de VIDA, acreditando e alimentando sua indestrutível essência!

Até a próxima, querido leitor!


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