INSÔNIA OU O DESPERTAR PARA SI.

Perdi o sono e me encontrei. Sim, me encontrei na madrugada e foi incrível. No instante que percebi meus olhos abertos e aquela sensação de pronta para levantar tomei consciência de que ainda estava muito escuro. Mas lá estava eu, acordada. Pensei em ler um pouco, mas meu corpo queria ficar ali...deitado....e meus olhos também desejavam ficar fechados, ainda precisando de repouso talvez. Imaginei que seria uma tortura tentar dormir ou ficar ali deixando aqueles pensamentos ruminantes (que só aparecem durante a madrugada, sabe?) tomarem conta de mim. Ora, se fui acordada pelo meu inconsciente, durante a madrugada quando todos dormiam, poderia ser um momento ímpar para pensar em mim! Sim, sim! Que coisa boa! Poxa, quantas vezes durante o dia pensamos em nós? Não, eu não estou perguntando quantas vezes pensamos nos “problemas” que temos, mas em quantas vezes pensamos em nós como possibilidade e oportunidade de investir para evoluir.  Quantas vezes nos colocamos diante de um espelho e perguntamos: afinal, quem é você de fato?
E eis o fato: você é feliz de verdade? Você julga? Você tem opiniões enquadradas? Você desconfia dos outros? Você aponta nos outros defeitos que certamente são seus? E você enxerga isso tudo que lhe faz cada vez mais escravo das suas preocupações e temores?
Alguns podem até me perguntar se isso não seria uma forma negativa demais de se ver. E eu coloco a seguinte questão: se você não se olhar querendo mudar o que precisa, nada vai acontecer, continuará prisioneiro de si mesmo. Sempre aparecerão pessoas e situações “injustas” no seu caminho. Não se trata aqui de não ter autoestima, de não se valorizar – até porque essas características sem autoconhecimento serão escravas do ego! -  eu falo de querer saber quem você é sem máscaras para si mesmo, sem julgamentos. Isso é cuidar de si, cuidar de Ser.
Foi assim que encarei a minha insônia. Não gostei nada do que vi, mas fiquei feliz, muito feliz por poder apontar o dedo pra mim. Eu gosto de saber quem sou, gosto de ser o meu centro de atenções. Críticas e situações descabíveis me interessam porque eu sou o objeto em questão.  Se me conheço, uso tudo que me aborrece como uma brecha de evolução pessoal. Se não me conheço, me perco em atitudes para atingir e culpar o outro, mas acabo ferindo a mim mesma quando, novamente, a vida me leva ao ponto de partida e a história se repete gerando um novo confronto ou, se eu souber aproveitar, uma nova oportunidade de mudar.

 A madrugada me deu esse presente. Depois de entrar nessa região gelada do meu interior e sentir o frio cortando minha pele (e doeu muito), descobri que tenho braços enormes e acolhedores que podem me aquecer e os chamei de “guardiões do crescimento”. Tudo isso me custou algumas horas insones, mas um torpor me invadiu docemente. Entendi que meu inconsciente, pela coragem que tive de me olhar, me concedia o “sono dos justos”. E assim foi.